2 – O DONO DO PUTEIRO

Roberto abriu seus olhos para o quarto escuro. O sol ainda não tinha nascido e isso era um preço que ele tinha que pagar para mostrar praquelas putas quem mandava nelas. Levantou da cama com o corpo completamente nu. Estava exausto da festa que tinha dado na noite anterior: apenas mulheres. O que começou com algo social terminou em uma completa suruba carnal onde ele era o único macho da casa. E era assim que gostava de ser visto.

As mulheres conheciam bem a fama dele e sabiam que dinheiro e luxo era o que não faltava na vida dele. Toda semana uma mulher escolhida por ele ganhava um presente caríssimo. Essas histórias passavam de boca em boca entre elas pela cidade, o que acabava gerando uma certa disputa para participar daquelas festas a fim de tentarem ganhar na loteria por uma noite de sexo.

Roberto gostava da sensação de ser superior e de poder gastar seu dinheiro sem precisar se importar com a conta no fim do mês. Afinal, ganhava dinheiro fácil às custas das putas bolivarianas que vinham sem um tostão para o Brasil e topavam qualquer coisa por qualquer quantia de dinheiro que pagassem a elas.

Tomou um banho rápido. Não poderia demorar. Tinha que chegar no puteiro antes que os clientes começassem a aparecer. E os clientes daquela cidade eram estranhos. Apreciavam uma boa foda com as putas antes de irem ao trabalho, logo cedo. E quem não gosta de iniciar o dia metendo o pau em um buraco úmido e quente?

Mas ele tinha que chegar lá primeiro. Ninguém jamais poderia enfiar o pau dentro de uma das putas antes dele. Essa era uma regra da qual não abria mão e a última que descumprira estava enterrada a sete palmos abaixo da terra. Não o outro homem, porque a culpa era sempre delas.

Assim que saiu do chuveiro e secou-se, abriu seu closet para escolher a roupa que vestiria. E ele adorava aquela vista, cheia de camisas, calças, tênis, sapatos e tudo o que ele via em uma vitrine e o interessava. Haviam coisas lá dentro que ele usara uma única vez e outras que ainda nem sequer tinha usado. Mas eram dele, e tê-las ali na sua frente o deixava de certa forma excitado. Excitado ao ponto de seu pau ficar duro com a simples visão de roupas e calçados. Mas ele sabia que não eram as coisas em si que faziam seu pau estourar e latejar de tesão. Era a sensação de poder. De ser superior aos outros daquela cidade. De poder comprar qualquer coisa, mesmo que fosse inútil para ele.

Por fim pegou qualquer peça que suas mãos encontraram e saiu. Ligou um de seus sete carros, sorteado a dedo, e foi-se embora. Estava na hora de enfiar seu grande pau sedento por buceta no buraco de suas sete putinhas.

***

Alissa foi acordada pelo capataz que cuidava do bordel com um balde de água gelada. O mesmo ritual aconteceu com as outras garotas, que dormiam amontoadas em um cômodo pequeno no fundo daquele lugar. Sua barriga roncava de fome. Eles não davam muita comida à elas para que não engordassem. Seus olhos ainda estavam cansados das poucas horas dormidas. Mas ela não aguentaria aquilo por muito mais tempo. Ele viera em seu sonho na noite passada. E ela aceitou aquele contrato em troca de vingança e justiça. Sua alma já estava condenada de qualquer forma, então ela disse sim. E ele viria naquele dia para pôr um fim no negócio daquele filho da puta.

Em seu sonho, ela estava deitada em cima de uma toalha, que fora estendida sobre a areia de uma praia qualquer no litoral catarinense. Era para lá que ela desejava ir quando saiu da Bolívia, mas encontrou Roberto em seu caminho. Estava só naquele lugar, com um livro de suspense em mãos, ocupando seu cérebro enquanto tomava um banho de sol. Os únicos sons que podia ouvir era o das aves que volta e meia passavam sobre sua cabeça e da quebra das ondas no mar azul. Era um lugar de paz, onde ela visitava todas as noites. Provavelmente uma defesa que sua cabeça criara para suportar os dias de abuso que sofria.

Mas naquele sonho, algo de estranho aconteceu. Alissa estava distraída com seu livro quando percebeu o silêncio prevalecer no lugar. Os pássaros pararam no céu e seus cantos não foram mais ouvidos. As ondas congelaram no mar e o barulho que faziam agora era apenas silêncio. E de dentro das águas, uma figura começou a emergir. Ela andava sobre quatro patas e possuía três cabeças. Foi a do meio, a cabeça de homem, quem falou:

— Você me chamou, menina?

Alissa não entendeu o que era aquilo. Ninguém jamais havia interagido com ela em seus sonhos. E aquilo parecia real demais.

— Acho que não — respondeu, com um sorriso sem graça.

— Tem certeza? — Questionou a criatura.

Ela fechou o livro e olhou para o céu, onde as aves continuavam imóveis.

— Bom, algumas noites eu pedi por ajuda. Alguém que pudesse me salvar da prisão que vivo.

O ser de quatro patas sorriu com suas três cabeças. A humana, a outra que se assemelhava com um carneiro, e uma terceira que se parecia com um touro. Elas sorriram em uma sincronia encantadora que fizeram a garota soltar um som de espanto.

— Então … a ajuda chegou. Eu posso te livrar dessa prisão e te levar comigo. Eu posso te tirar das mãos das pessoas que te prendem. E eu posso livrar as amarras de todas as outras que te acompanham nesse pesadelo em que vivem.

As cabeças sorriram de novo, e a criatura começou a andar na direção dela. Alissa não temeu. Ao contrário, sentiu-se segura. Sentiu-se protegida.

— Então diga que és minha, menina. Me de seu corpo. Me de sua alma. Então te libertarei. E você será minha. E as outras serão livres.

A criatura chegou mais perto agora e o rosto humano estava a apenas centímetros de seu rosto. Ela olhou-o fixamente nos olhos e proferiu uma única palavra, antes que fosse beijada por ele e levada para longe daquele lugar pelo balde de água fria:

— Sim.

***

Quando chegou até Roberto, que agora dizia ser o dono de todas elas, recebeu promessas e mais promessas, em troca de proporcionar aos clientes o prazer da carne. Desamparada e sem um lugar para viver, ela aceitou, e agora não tinha mais como fugir. Ela e as outras seis eram prisioneiras. Nem se lembrava ao certo da última vez que vira a luz do sol sem ser em seus sonhos.

Vivia sob constante vigilância daquelas pessoas e não tinha permissão para deixar a casa. Soube de histórias, contadas pelo próprio dono do bordel, de outras como ela que tentaram fugir de lá e nunca mais foram vistas. Uma espécie de ameaça contada em forma de história.

Levantou-se e as outras foram logo atrás. Tomariam banho, comeriam a fatia de pão que lhes era dada e então o dono chegaria. Enfiaria seu pau nojento nelas, antes que outros homens asquerosos chegassem e fizessem o mesmo. Mas ela estava farta daquilo. Já tinha perdido as esperanças de sair dali viva. Naquele dia aquela criatura, que ela imaginava ser um demônio, daria um fim a tudo e então outras mulheres, desamparadas e em busca de qualquer mão que fosse estendida, jamais precisariam passar pelo que ela passava todos os dias. Seria uma espécie de martírio, mas que provavelmente jamais seria conhecida pelo mundo.

O demônio explicou como tudo aconteceria. Como ele tomaria o corpo dela. Alissa deveria dar permissão para ele assim que o sentisse e então ele conduziria o resto. E foi durante o banho que ele bateu na porta de seu corpo.

“Me deixe entrar menina. Me deixe entrar agora ou sua vingança nunca virá.”

Ela ouviu aquela voz surgir dentro de sua mente e quando a última palavra foi proferida, ela sorriu. E seu espírito se encheu de uma paz há muito tempo esquecida. A luz no fim do túnel.

“Sim, entre por favor. Meu corpo é seu. Eu sou sua. Entre e nos salve. Dê um fim a tudo isso, eu te imploro.”, respondeu a garota, dentro de sua cabeça.

E ela sentiu. Algo tomando conta de seu corpo. Infiltrando-se gradativamente até tê-la por completa. E ela sorriu novamente, com uma imensa paz de não ter mais que tomar controle de sua vida. O demônio agora dominava seu corpo, e ela apenas enxergava através dos olhos que um dia foram dela, como uma mera expectadora.

“Boa garota. Agora vamos mostrar o que essa bucetinha pode causar em um homem se usada de forma correta … ou melhor, se usada pelo demônio correto.”, disse a entidade, e logo depois uma gargalhada ecoou dentro da cabeça de Alissa. Primeiro do demônio e depois fundida com a da garota também. E gargalharam por longos minutos, enquanto ela tomava banho. Gargalharam ainda quando ela estava se secando. E quando Roberto entrou no quarto, puxando Alissa pelo braço, deixando marcas de dedos onde apertava-a, ela gargalhava (dentro de sua cabeça) e o demônio gargalhava junto.

E assim eles foram, unidos em um corpo e com um mesmo objetivo: acabar de vez com a vida do homem que arrastava-os para um quarto e que logo em seguida enfiaria seu pau em um buraco. E esse buraco lhe daria uma passagem de ida diretamente para o inferno.

Ele levou-a para o quarto que ficava nos fundos do puteiro, onde ele fazia todas as atrocidades com as outras garotas. Lá havia apenas uma cama, relativamente confortável, e um banheiro, onde ele se lavava após transar com as sete. E Alissa era sempre a primeira.

Ele jogou-a na cama com certa brutidão, e quando viu que ela ria, questionou:

— Qual a graça? Tá com saudade do meu pau é?

A garota fez que sim com a cabeça. E ele tirou a roupa. E ela tirou a roupa. Ele se curvou sobre ela, com o pau ereto, mas dessa vez ela tomou as rédeas. Jogou-o para baixo e montou nele.

— Hoje eu que vou comandar — disse, com aquele sorriso ainda no rosto.

Ele não se opôs. Amava quando uma mulher ficava por cima, cavalgando sobre seu pau, jogando sua cabeça para trás e gemendo. Ela nunca tinha feito aquilo, e de certa forma ele se surpreendeu.

— Sabia que uma hora você ia se apaixonar pelo meu pau. Todas se apaixonam — fisse o homem, enquanto ela sentava em cima do membro enrijecido.

— Cala a boca — Alissa disse. Mas quem na verdade estava falando através de sua boca era o demônio.

— Ui, ela está feroz hoje.

A mulher deu um tapa no rosto dele e voltou a mandá-lo ficar quieto. E ele ficou. Ela cavalgou em cima dele, indo para frente e para trás, fazendo-o gemer feito um menino que acabara de descobrir os prazeres da carne. O rosto dele se contorcia de prazer. E então, ele sentiu algo de estranho.

Algo estava sugando-o. Isso ele pode perceber. Mas antes que pudesse fazer algo, foi tarde demais. Pouco a pouco seu corpo foi se esvaziando. Primeiro o pau, seguido pelos músculos das pernas, subindo pelo abdômen até chegar na cabeça. Em questão de segundos o homem, antes cheio de vida e sadio, transformou-se em um emaranhado de pele. Foi tudo o que sobrou do corpo dele. Pele. Músculos, ossos, órgãos, sangue e líquidos se foram. Sugados pela mulher. Sugados pelo demônio, que agora gargalhava no quarto, ainda sentado em cima do que um dia fora o corpo do dono do puteiro. Roberto se fora para sempre. Agora só restava as outras irem embora. Mas para Alissa, estava apenas começando. E daquele lugar apenas ela e as outras seis garotas sairiam vivas.

1 – O Bar Puterror

Se tem um lugar que você tem que visitar quando vir pro inferno é o Puterror. Acho que é o bar mais daora que tem por aqui. E claro que a Dayanne melhora o lugar tipo uns cem porcento. A magia do bar, diria eu, é ela. O coração e o cérebro ao mesmo tempo. Mas também depende muito do humor dela. Se você chegar lá e não a ver com longos cabelos esvoaçantes, um salto quinze e uma minissaia, eu diria pra voltar outro dia.

Se ela não tá montada é porque algo muito grave aconteceu. Tipo o humano que ela trepou na última noite não deu no coro. Ou a unha dela quebrou antes de encontrar aquela mina gostosa. Ou pior ainda, se ela se montou de drag e o filho da puta (coloque todos os X aqui, porquê demônios não se importam com gênero. Eles só querem o prazer de foder ou ser fodido) não apareceu e deixou ela esperando.

Claro que se ela fizesse como eu, não teria esse tipo de problema. Essa galera daqui gosta tanto de tecnologia que às vezes até parecem seres humanos. Eles usam uma espécie de aplicativo que conecta demônios com gente que quer trepar com demônio. Tipo, tem que ter consentimento.

Qual é o nome mesmo? …. Hell … Hell alguma coisa …

Hellrnot!!!!!!

Isso mesmo!

Antes tinha outro … Grindhot eu acho, mas não caiu nas graças dos chifrudos.

Eu já sou à moda antiga. Tem concessão também, claro. Que tipo de monstro eu seria se obrigasse alguém a abrir as pernas pra mim (ou fizesse alguém entrar abrir minhas pernas a força) (um humano!)? Só trepo com quem quer trepar com meu corpo humano possuído do dia. Só que eu não falo pra eles que no final meu vírus vai secar tudo que fica dentro deles e deixar só a pele estendida lá, no chão, na cama, no sofá, em cima da máquina de lavar, no elevador ou onde quer que seja. E eu tenho uma longa coleção delas lá na minha casa. Segredinhos que prefiro guardar pra mim.

Dayanne sempre me chama de monstro quando lembro desse detalhe. Ué, a gente é demônio. A gente é, na visão dos humanos, monstros.

Hoje ela tá montada, então talvez eu até descole umas brejas de graça.

— Hei gata, manda uma Kaiser bem geladinha, por favor!

Ela se vira, jogando os longos cabelos (peruca) pretos para trás, tentando imitar aquelas propagandas de shampoo. E da certo, a bixa é bonita demais.

— Só se você me pôr nesse livrinho aí.

Dou uma gargalhada. Porra, já falei mil vezes que meu livro só tem os relatos dos humanos que eu trepo e seco.

— Dayanne, pra você fazer parte dele, vai ter que me dar uma chance para provar desse corpinho ai.

Ela traz o copo com a cerveja, passando as longas unhas dentro do líquido para misturar.

— Ora ora, pra provar disso aqui tem que merecer. Começando tratando os humanos decentemente. A gente tá no século XXI. Não precisamos mais matar eles. E também tomando uma cerveja melhor do que essa coisa ai que você sempre pede.

Eita, lá vem ela de novo com esse papo mano.

— Not today, satan! Not today. Nas minhas peles e minha Kaiser ninguém toca.

Ela solta uma risada estridente e se vai para atender outros demônios.

Tá na hora de colocar mais histórias nesse belezinha. E essa vai ser sobre o dia que eu fiz um pacto com uma escrava sexual. Aquele dia meu amigo, foi lôco!

696969 – Introduzindo

 

    Sexo. Depois que eu aprendi o que isso realmente era, pude entender os humanos. Coisa boa da porra sentir os prazeres proporcionados pelo corpo. Mas pra isso eu precisava de um corpo. E depois de anos aprendendo e aperfeiçoando a arte da possessão, finalmente achei uma forma fácil e rápida. Aliás, podem ser várias formas, porém no fim, tudo é mais fácil agora.
E o sexo.
Quando eu quero.
Com quem eu quero.
Isso não é um livro erótico destinado a fazer calcinhas molharem ou cuecas melarem. É um relato de minhas experiências com os humanos. Afinal, um demônio também pode querer virar escritor, não?
Sexo, cigarros e palavras. Nem sempre nessa ordem.
Um demônio que se pudesse, seria ator porno. Gay. Hétero. Paus e bucetas (talvez eu tente isso mais tarde).
E se quisesse, seria famoso.
Talvez eu queira.
Sexo.
Ou ser famoso.
Ou os dois.
Mas agora, um cigarro está bom.
E a sua alma de leitor.
Porém fique esperto que de noite eu posso te fazer uma visitinha.
Com o pau bem duro.
Ou a buceta bem molhadinha.
(E pode tirar esse sorriso do rosto, porque isso não é um livro de comédia).