1 – PRÓLOGO

 

A criatura encontrava-se deitada há milênios naquele local. Seu corpo, que um dia foi tão grande que preenchia aquele local escuro e úmido, encontrava-se com a metade do tamanho . Seu estômago roncava feito trovoada que ameaça colocar uma cidade inteira abaixo. Seus filhos não conseguiram comida. Os visitantes estavam cada vez mais escassos. Quem parasse na frente da caverna ouviria os lamentos de seu estômago.

Seu plano era expandir e crescer. Quando fosse tão grande que pudesse consumir outras pessoas e cidades, então ninguém poderia impedi-la. Fora trazida para aquele lugar para acabar com os humanos. Não fora a própria natureza que a moldara daquela forma? Mas os visitantes estavam cada vez mais raros. Amaldiçoava quem a tinha criado. Poderiam tê-la colocado em um local onde pessoas visitassem com mais frequência. Mas não. Fora jogada à própria sorte naquela cidade de nome horrível.

O certo era se alimentar uma vez por mês. Se fizesse mais refeições em um curto período de tempo corria o risco de explodir e evaporar. Então seguia a risca essa indicação (que não fazia ideia de onde viera também). Sua criação sempre fora uma mistério. Fora deixada ali, como parte da terra daquela gruta abandonada, com um corpo em cima do peito desnudo e um bilhete.

“Coma essa criatura em cima de seu corpo. Sua boca pode se abrir e seu estômago é capaz de engoli-la por inteira. Você é nossa salvação. Coma apenas uma vez por mês caso queira continuar viva. Coma apenas uma vez por mês e você ganhará o mundo. Tenha seus filhos e popule essa terra amaldiçoada. Dê poder a eles e crie mais filhos. Coma mais corpos. Domine mentes. Tome conta desse planeta e nos salve”.

Que diabos era aquilo ela não fazia ideia, mas achou por bem seguir a risca. Já passara anos sem comer um corpo se quer. Sem alimentar seu estômago faminto. Ou pior, sem nutrir sua mente.

Conforme os anos foram avançando, o homem foi dominando cada vez mais terras, até que alguém achou por bem fundar uma nova cidade em cima de onde ela habitava. Lago dos Cedros foi o nome dado ao local. Começou apenas com uma família que construiu sua casa nas margens do grande lago que encontrava-se no centro daquele lugar. Ela poderia tê-los devorado ali mesmo, mas se conteve. Por mais que a fome berrasse para que ela os comesse, não o fez. Precisava que a cidade crescesse. Necessitava que mais pessoas fossem até lá. Quanto tempo levou para que a cidade chegasse a dez mil habitantes, não saberia dizer. E foi então que ela começou seu plano.

8 – O Personagem da História

Quando Márcia cruzou a fronteira da cidade onde encontrou muitas viaturas de polícia e bombeiros, Marcos colocou a caneta de lado, orgulhoso de finalmente ter escrito a palavra fim.

E estava mais leve com o desfecho. Não era um final definitivo, por mais que parecesse. Sua personagem poderia viver novamente e estava feliz com isso. Era seu vilão, mas de certa forma não era um vilão ruim. Ela tinha os seus porquês e ele a respeitava por isso.

Olhou para fora e a paisagem ainda era a mesma. A cortina de neve descia sobre Lago Negro cobrindo qualquer visão. Ainda na cadeira, Marcos se espreguiçou e soltou um longo bocejo. Olhou no relógio e tomou um grande susto. Já passava das duas da manhã. Tinha perdido a noção de tempo, preso nas amarras da sua criação. Sua obra prima. De longe, o livro mais intenso que já criou um dia na sua carreira de escritor amador.

Levantou e levou as mãos à maçaneta da porta e ficou confuso ao verificar que estava trancada. Quando tinha feito isso? Não se lembrava de ter levantado para trancar a porta.

Deu de ombros e virou a chave. Caminhou até o quarto da mãe e ficou alarmado ao perceber que a cama estava vazia. Desceu as escadas e também não a encontrou lá. Foi até a cozinha e bebeu um copo de água enquanto pensava onde ela poderia ter ido. Era dia de semana. E mesmo que fosse sexta ou sábado, raramente ela saia de noite.

Lavou o copo e colocou-o no escorredor. Se dirigiu até a sala e quando abriu a porta, a menina estava do lado de fora, o aguardando.

***

Assim que Márcia saiu, ela sentiu algo estranho. Sentiu como se um novo fio a conectasse a alguém naquele lugar que ela acabou de destruir. E era uma conexão diferente. Não era o ódio e nem o amor. Era maior que os dois. Era como se seu criador a chamasse. Como se ele clamasse para que ela o encontrasse e que os dois pudessem conversar a respeito de sua origem. De sua natureza.

Ela seguiu aquele fio invisível. Passou por casas em chamas e por corpos no chão. Algumas pessoas ainda encontravam-se vivas, correndo de um lado para o outro em busca de uma nova vítima para batalhar até a morte.

Cruzou novamente a loja onde pegara sua primeira vítima.

Cruzou uma casa onde o corpo de uma homem e uma mulher pendiam pendurados por uma corda. Talvez tomaram aquela decisão ao perceber o caos que se instaurou na cidade. Porém, se os pobres soubessem que se não foram afetados, não morreriam naquele dia, jamais teriam feito tal ato. Ela lamentou por isso e disse a si mesma que da próxima vez os avisaria. Teceria mais uma rede, a mesma que criara os loucos e insanos, para unir os puros de coração. Para que vidas inocentes não fossem tomadas em vão.

Uma lágrima escorreu de seu rosto com a cena e mais uma vez ela foi pega de surpresa. Que sentimento era aquele que apertava seu coração? Tinha muito que aprender ainda sobre essas coisas. E o fio que ela seguia talvez esclarecesse algumas dessas coisas.

Chegou em frente a casa dele. Seu coração apertou. Estava na frente da fonte de suas respostas. E ela tinha tantas perguntas. Será que ele saberia respondê-las? Pensava que não todas. Talvez ele nem soubesse dela. Quem sabe não a criou por engano? Não importava. Estava ali e jogaria a sorte. E se ele estava vivo ainda, era uma boa pessoa. Um ser humano digno do novo mundo.

A luz de uma janela no segundo andar estava acesa. Ela ficou ali embaixo, com os pés enterrados em um metro de neve, observando aquele vão de vidro iluminado. Seu coração bateu mais forte.

Forçou os pés a se moverem, mas eles pareciam pesar mil quilos cada um agora. Ela caminhou devagar. Quanto tempo levou até andar aqueles dois metros até a porta, não sabia. Podia ter levado um minuto ou uma hora. E se ele tivesse o poder de apagá-la, assim como teve o de dar vida? E se ao descobrir sobre o que criou, perceber o monstro que trouxe para aquele mundo, ele a matasse? Porque ela sabia que as pessoas não a viam como algo bom. Para os humanos, ela era uma ameaça. Ela era a morte.

Pensou em virar a maçaneta e entrar, mas algo na sua mente pediu para que esperasse. E assim ela fez. Ficou parada por minutos na frente daquela casa desconhecida, com milhões de pensamentos percorrendo sua mente. Esperou até que ouviu passos. Seu coração ameaçou pular garganta afora. E então a porta se abriu.

***

Marcos levou um susto e deu um pulo para trás quando viu do outro lado uma pequena menina, de pés descalços e com apenas um vestido, sem nenhuma roupa de frio. Foi pego de surpresa e não estava esperando dar de cara com alguém ali do lado de fora. Ainda mais de madrugada.

Ela sorriu para ele.

Ele sorriu para ela.

O que era aquela conexão que estava sentindo em relação àquela estranha? Parecia que ele a conhecia.

— Está perdida?

— Há muito tempo.

Ele não respondeu. Ficou intrigado com as palavras dela.

— Desde a tempestade?

— Bem antes dela.

— Quer entrar? Podemos tentar ligar para seus pais.

Ela entrou.

— Espere aqui.

Marcos subiu as escadas e buscou no quarto de sua mãe um casaco quente que pudesse aquecer a pequena menina. Desceu as escadas correndo e entregou a peça de roupa para ela.

— Toma, você deve estar com frio.

Ela aceitou e se vestiu com ele, sorrindo de orelha a orelha.

Mais uma vez aquela sensação de amor inundou seu coração. Que estranho sentir-se assim com uma estranha. E essa sensação de conhecê-la muito bem era ainda mais estranha.

— O que quis dizer com bem antes da tempestade?

— Não saia correndo, por favor, mas acho que você me criou.

Ele riu, lembrando-se da época em que era criança. A imaginação na infância é uma coisa fantástica e por um momento ele sentiu uma nostalgia da época em que só se preocupava em ler seus livros e assistir seus filmes preferidos.

— Eu não tenho poder de criar ninguém, infelizmente.

Ela levantou-se e foi na direção dele. Pegou as mãos do garoto em suas e então ele viu. Sua história passando por sua cabeça. Da mulher gorda presa em sua caverna, dominando uma cidade e devorando humanos para que pudesse expandir. Para que pudesse purificar o planeta. Para que pudesse dar uma nova chance a raça humana.

Marcos se soltou das mãos dela e deu alguns passos para trás, quase caindo de bunda no chão ao tropeçar na mesinha de centro da sala.

— Impossível.

— Eu também pensava isso. Mas eu senti.

— Mas essa história só ficou pronta hoje. É impossível você ser ela.

A menina começou a chorar, mas eram lágrimas de felicidade.

— Ó senhor, obrigado por ter me criado e me dado esse papel tão importante.

Ele não respondeu. Seu rosto virou uma mistura de confusão e medo. E ela percebeu.

— Não tenha medo, por favor. Eu só quero respostas.

O garoto desabou no chão.

— Receio não ter. Acabei de descobrir que dei vida a um personagem …

E então um clique soou dentro de sua mente.

— O que você faz aqui em Lago Negro?

Ela sorriu mais uma vez e seus olhos brilharam junto. Por um instante ele pôde jurar ter visto chamas por detrás das pupilas da menina.

— Destruindo os que não merecem viver no novo mundo. Como o senhor me ordenou.

E então ele lembrou de sua mãe. E então a neve veio na sua mente. E o silêncio da noite. Um arrepio percorreu seu corpo. O medo invadiu seu ser.

— O que você fez?

— Matei e deixei viver quem merecia. Não foi pra isso que fui criada?

Marcos começou a se arrastar para trás com as mãos e chocou-se com a parede. Suor brotou em sua testa e escorreu por seu rosto. Ele deu vida a um monstro. Um ser malígno. Um ser destrutivo.

— Onde está minha mãe? — murmurou, mais para si do que para a convidada.

Mas ela respondeu.

— Receio que não viveu.

— Você não pode fazer isso. Não pode matar os outros a própria vontade. Você é uma história, e as histórias têm liberdade para isso porque são ficção. Nenhum inocente morre lá. É tudo ficção — berrou, com lágrimas escorrendo rosto abaixo ao ouvir as palavras da garota. — Se foi eu que te criei, exijo que você pare tudo isso. Suma, se exile, volte pra sua caverna. Deixe os humanos em paz.

Ela não falou nada. Ficou para onde estava. Seu rosto estava contraído. As palavras dele a machucaram. E o que ela sentiu ao encontrar seu criador se transformou em amargura. Foi rejeitada. Acreditava que tinha achado mais do pote do amor. Se enganou.

Levantou-se e foi na direção da porta. Antes de sumir em meio a cortina de neve, disse:

— Que pena que pense isso de mim, meu senhor, meu Deus e meu criador. Eu não tenho coragem de tirar sua vida e nem sei se existiria mais, caso fizesse. Porém, ainda vamos nos encontrar mais uma vez. Nesse mundo ou em outro. E espero que suas palavras da próxima vez sejam de desculpas. Histórias podem ser mais do que ficção. E acredito que no fundo você saiba disso também.

E então sumiu. Horas depois a neve se foi também. E da cidade que um dia existiu, apenas a casa de Marcos permaneceu de pé. Quando os bombeiros e policiais chegaram, encontraram apenas cinzas e neve derretendo.

E aquela casa intacta.

Quando abriram a porta, encontraram ele no mesmo local que estava quando a menina deixou o lugar. Mas palavras não saiam de sua boca. Reação não existia em seu corpo. Estava em choque. E ficaria assim por muitos anos. Talvez até o fim de sua vida.

Ela se foi e espera pelo próximo chamado. Pelas próximas vítimas e pelo reencontro. De seus olhos, lágrimas escorrem feito uma torneira aberta que nunca cessa. Pela neve que a acompanha, uma trilha se forma atrás dela em meio as pegadas de seus pés. A marca da amargura e da rejeição em forma de água expelida por seus olhos.

Ela chora.

Ela caminha.

FIM.

7 – A Fuga da Cidade

O banho durou alguns minutos e Márcia deixou a menina debaixo da água quente e aconchegante por mais tempo do que precisava. Percebeu que ela estava gostando da sensação de aconchego, do calor e do movimento da espuma de banho que a limpava.

Volta e meia a menina sorria e a mulher sentia-se a pessoa mais sortuda do mundo. Sabia que no outro dia teria de encontrar os pais dela, mas só de provar um pouco da sensação de ser mãe, de cuidar de uma criança, já era suficiente para o momento. O amanhã era outro dia e ela apreciaria aqueles instantes o máximo que pudesse.

Tirou a garota do chuveiro e a secou. Levou-a até seu quarto onde revirou no guarda roupa atrás de peças quentes. Tudo era grande demais para a menina, mas acreditava que isso não a incomodaria. Estaria quente e segura dentro de uma casa.

E então foi desperta do seu casulo de amor e paixão pelo marido. Ele entrou correndo dentro do quarto, abrindo a porta com um chute.

— Tá louco Bruno? Olha o que fez com a porta.

Mas ele não respondeu. Encarou a mulher com ódio no olhar e com a boca espumando.

— O que você tem?

O homem deu um passo para a frente.

— Se afasta daqui seu babaca. Você não vai fazer mal à essa garota.

E então pela primeira vez desde que entrara na casa, a menina falou.

— Não é a mim que ele quer fazer mal. É a você.

A mulher a encarou com dúvida e receio.

— Como assim?

A menina pegou a mão da mulher com ternura.

— Não se preocupe. Não vou deixar que ele te machuque.

A voz dela era carregada de uma forma tão adulta que por um momento Márcia se lembrou daquele filme onde os pais adotaram uma menina que no final descobriram ser uma mulher bem mais velha que parecia uma criança. E pela primeira vez desde que a encontrara, sentiu medo. E a menina também sentiu o medo dela.

— Não fique assustada.

E então envolveu a mulher em um abraço.

E como num passe de mágica Bruno deu as costas as duas e saiu correndo da casa.

— O que foi isso? Por que ele desistiu?

— Eu não sou uma criança. Sou algo além disso que nem eu entendo direito ainda. Minha natureza é limpar a terra das pessoas ruins e poupar as boas. E você me mostrou o que é o amor puro. O amor ao próximo.

Márcia estava incrédula e começou a se afastar da menina. Ela sorriu.

— Eu entendo seu receio, mas tenha a certeza que você viverá hoje. E você será mãe, como tanto deseja. Esse seu sentimento precisa ser compartilhado e espalhado. E eu tô aqui pra te salvar.

A menina pegou ela pela mão mais uma vez e a conduziu para fora da casa. Marcia não sentia frio, mesmo sabendo que a temperatura agora deveria estar abaixo de zero.

Se assustou com a cena que os olhos conseguiam enxergar quando chegava muito próximo. Quase tropeçou em um corpo estendido sem vida no meio da estrada.

— Oh meu Deus, o que aconteceu aqui?

— É a limpeza. Eles eram maus. Não mereciam viver. Seu marido também era. Você nunca se perguntou o porquê de nunca ter engravidado?

Márcia parou os passos.

— Como assim? O médico disse que meu útero era muito fraco para ter um filho.

— Ele mentiu e ajudou seu marido com um remédio abortista. Eu li tudo isso na mente dele. Ele não desejava ter um filho e foi a maneira que encontrou para dar um fim nos seus desejos maternos.

A mulher começou a chorar, lembrando-se das três crianças que perdeu e dos três filhos que poderiam estar com ela caso aquilo não tivesse acontecido. Podia acreditar na menina? De certa forma achava que sim. Mesmo que tudo ali parecesse uma história de terror e irreal, acreditava nas palavras dela.

— Então quer dizer que eu posso ser mãe — foi tudo que conseguiu dizer e depois as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto e colidirem com o chão gelado.

A menina a abraçou mais uma vez e Márcia sentiu novamente aquela sensação de amor.

Uma claridade começava a tomar conta de vários pontos e ela conseguia ver através da cortina de neve onde o local tornava-se mais claro.

Fogo.

— Oh meu Deus, a cidade vai queimar. Tudo vai ser reduzido a pó.

A menina pegou-a pela mão e a levou para dentro mais uma vez.

— Amanhã de manhã só restará as cinzas desse lugar. Os restos dos moradores poderão ser encontrados junto com as cinzas das casas e das árvores, mas acho que ninguém jamais procurará por isso. Será um mistério não resolvido e tenho certeza que você não falará sobre ele. Preciso chegar do nada e partir da mesma forma.

E então uma última provação passou pela cabeça da menina. Seria a prova final, para ver se a mulher realmente era tudo aquilo que aparentava.

A janela da sala se estilhaçou e uma mulher ensandecida se pôs para dentro. A mesma espuma que escorria pela boca do marido de Márcia estava presente na estranha.

— É uma das suas também?

A menina negou.

A mulher avançou na direção da criança com ódio no olhar e as mãos estendidas tentando buscar o pescoço dela.

Márcia foi mais rápida do que jamais pensaria que poderia ser. Os reflexos maternos estavam lá. Antes que a estranha pudesse alcançar sua protegida, um vaso de cerâmica a acertou na cabeça, deixando-a sem vida no chão.

A mãe de Marcos estava morta.

Márcia tinha passado no seu teste final, sem nem saber.

***

— Tem certeza que não deseja vir comigo? Esquecer da sua natureza e desfrutar de uma vida livre de toda essa matança?

— Tenho. Minha natureza me diz que é isso que devo fazer. Ele me criou para isso.

— Quem é ele? Deus?

— Uma espécie de Deus, sim. Talvez um enviado do próprio que vocês chamam de Deus. E eu sinto que ele está aqui. Preciso ficar e talvez encontrar algumas respostas.

A mulher assentiu. Antes de entrar no carro, envolveu a menina em seus braços por longos segundos e então beijou-a na testa.

— Então se cuida. E obrigado por tudo.

— Vá em paz. Quem sabe a gente se encontre por aí mais uma vez e você me apresente seus filhos verdadeiros. Existem outros mundos, Márcia, e talvez eu possa lhes apresentar quando tudo estiver completo aqui.

A mulher sorriu. Entrou no carro e virou a chave na ignição. Não sabe como conseguiu sair dali em meio aquela cortina branca e ruas cheias de corpos, mas no fundo sabia que a menina a guiava. Estava feliz.

Finalmente a esperança da maternidade se fazia presente. Ela poderia ser mãe, e seria em um futuro não muito distante. Seria mãe dos seus e dos que foram abandonados pelos pais. Seu amor era tão grande que não se contentava apenas com suas crianças. Precisava mostrar as que foram deixadas de lado que a vida podia ser boa.

Nossas Obras

Lucas Rodrigues

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''We never really die'' 

21 anos, sonhador e audacioso.
Aprendiz de youtuber.

Título: Black Stories
Sinopse: Seis histórias de pessoas comuns que de um segundo para o outro redescobriram o sentindo da palavra medo. Estaria o mal interligado com todas as coisas bizarras que acontecem no mundo ou seria apenas uma triste e macabra ironia do destino?

João Paulo Effting

joao

O terror entra por meus pulmões como se fosse 
ar. 
Circula por minhas veias como se fosse sangue. 
Quando transpiro, exalo terror. 
Vivo o terror. 
Amo o terror.

Título: Chasses
Sinopse: Jerry McFillan se muda com sua família para uma pequena cidade chamada Chasses. O que era pra ser uma nova vida em um lugar tranquilo para seu filho e sua mulher começa a se tornar um estranho mistério, quando sua esposa é abordada por uma moradora, alertando-a para ir embora pois o mal vive escondido naquele lugar.

Título:  Na Garupa do Besouro
Sinopse: Ficou por um tempo sentado na cama, pensando. A insanidade crescendo. O garoto doce, apaixonado, amigo, que um dia existiu estava morrendo aos poucos (ou rapidamente), tomado pelo sentimento de traição e pelo ciúme. Enquanto estava sentado, o sorriso não saía de seu rosto. O mais apavorante de tudo era que seus olhos não sorriam junto. Era um sorriso forçado, um sorriso medonho, de alguém prestes a cometer uma loucura. O sorriso de um assassino em vias de matar alguém.