A terra é no Inferno

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Recentemente eu criei um novo livro no WattPad, onde acabei juntando duas histórias diferentes que eu tinha escrito (começado), mas que em um determinado momento pude ver que elas seguiriam para o mesmo caminho. E não é que deu certo? Hoje eu já vejo onde essas duas histórias se encontrarão e virarão apenas uma. E venho aqui convidá-los a conhecer um pouco. Já tem 6 capítulos postados.

Sinópse:

O mundo está chegando ao seu fim mas ninguém reparou. O inferno se fundiu com a terra e os demônios andam disfarçados, usando pele de humanos. Assassinatos, roubos e guerras são causados por esses seres diabólicos e ninguém percebe que o mundo já não é mais como antes. Com exceção de seis jovens que ao completarem dezoito anos, recebem uma revelação: eles foram escolhidos por Deus para uma batalha final a fim de reaver a terra e expulsar as criaturas para seu lugar de origem: o Inferno.

 

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EM UMA VIELA QUALQUER DA RUA AUGUSTA

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O céu estava limpo e cheio de estrelas. Marcos acelerava os passos e volta e meia inclinava a cabeça para trás. A sensação de estar sendo seguido o acompanhava já fazia quase cinco minutos.

“Por que fui inventar de querer cortar caminho por aqui?”, pensava enquanto andava cada vez mais rápido.

Na baixa Augusta a iluminação era precária e a segurança mais ainda. Por diversos trechos a única luz que existia lá vinha da grande lua cheia, branca e agourenta, que seguia-o pelo céu, como se previsse alguma desgraça e ansiava por testemunhá-la.

Um som de passos invadiu os ouvidos dele, fazendo seu sangue gelar. Arriscou mais uma olhada para trás, rezando inconscientemente para que não visse nada. Mas viu.

Um vulto negro agora o acompanhava e quanto mais apurava os passos, mas a pessoa que o seguia também o fazia. Começou a correr. Ouviu os passos atrás dele correrem juntos.

“Porra, não, não, não … não faz nem um mês que levaram meu celular. De novo não”, pensava, enquanto corria. Os passos atrás dele estavam mais próximos agora. Gritou por socorro, mas não tinha ninguém por perto para ajudá-lo. O único som em resposta que recebia era o eco de sua voz, como se voltasse para tirar sarro dele. De repente tropeçou em algo e se estatelou no chão. Foi de arrasto rua abaixo e seu queixo foi quem sofreu mais, sendo arrastado por alguns centímetros até que enfim o corpo parasse. Sentiu gosto de sangue na boca.

Tentou levantar-se, mas a pessoa que o seguia subiu em cima dele.

— Que porra cara. — Disse, cuspindo sangue junto com as palavras.

— Quietinho se não quiser morrer. — Teve como resposta.

Olhou para a frente com a esperança de ver alguém vindo em sua direção para ajudá-lo. Não havia ninguém lá. Apenas uma rua escura e desabitada.

— Pega o dinheiro da minha carteira cara, mas não me machuca. Tenho uma filha. — Mentiu, tentando fazer com que o ladrão não o matasse ali mesmo.

Ouviu uma gargalhada como resposta. O homem em cima dele aproximou a boca do ouvido de Marcos e por um instante ficou em silêncio.

A respiração do ladrão era fria e o cheiro do hálito logo tomou conta das narinas do rapaz. Não era um cheiro ruim, mas era um odor que ele nunca tinha sentido antes. Palavras ecoaram em sua mente: “Morte”.

— Eu não quero dinheiro. — Sussurrou o homem, rindo baixinho e logo em seguida passando sua língua pela orelha de Marcos, em movimentos lentos e circulares. A língua era gelata, tal qual a respiração.

— Só quero um pouco do seu sangue.

— Que porra … — Tentou dizer enquanto fazia força para se desvencilhar do homem. Foi inútil. Com apenas um leve empurrão, foi jogado de volta ao chão.

O homem riu novamente. Levou a cabeça de volta ao ouvido de Marcos e falou:

— Se você for bonzinho eu te deixo viver. — E lambeu a orelha dele novamente, agora descendo até o pescoço.

— Cara, eu não curto isso. Tudo bem se você curte. Me deixa ir por favor …

O homem empurrou a cabeça do rapaz com força em direção ao chão, fazendo-a chocar-se bruscamente.

— Mandei ficar quieto.

A pancada deixou-o tonto. Sentia sua cabeça úmida. “O desgraçado cortou meu rosto”.

Ia morrer ali, jogado na sarjeta, em uma viela imunda da rua Augusta. Quanto tempo levaria até que alguém encontrasse seu corpo? Ou pior, quanto tempo levaria até que sua família soubesse de sua morte? Morava sozinho em São Paulo fazia três anos e não entrava em contato com os pais frequentemente. Sentiu lágrimas saindo dos olhos. O sonho de ser editor e tradutor seria interrompido, e faltava tão pouco. Fechou os olhos, aguardando a morte abraçá-lo e levá-lo para sabe-se lá aonde.

Então algo perfurou seu pescoço. No começo foi doloroso, mas segundos depois tornou-se tranquilizador. O que era isso tudo? Sentia que o homem estava sugando algo. Seu sangue? Não podia ser.

O sujeito ficou fazendo isso por alguns minutos até que Marcos desmaiou. Enfim a morte. “Mas que forma estranha de morrer”, pensou antes de ser tomado pela escuridão total.

 

***

 

Quando abriu os olhos novamente, viu o homem agachado em sua frente. Tentou levantar, mas a força o abandonou por completo.

— Não se esforce. — O homem falou, com grandes olhos castanhos que sorriam para Marcos.

O sujeito olhou no relógio e depois passou a mão pelo cabelo e então disse:

— Daqui a 6 horas o sol vai aparecer nesse céu. Se não quiser morrer, evite-o.

Marcos tentou falar, mas as palavras saíram embrulhadas.

— Vampiro?

O sujeito na sua frente sorriu, agora de forma afável.

— Sim garoto. É o que sou e é o que você será. Faça o que eu disse. Vá para casa, feche as cortinas e durma durante o dia. Quando a noite chegar, eu te encontro pra conversarmos mais. Você é meu agora.

Ele sorriu para o rapaz que ainda se encontrava deitado no chão. O que Marcos viu foi dois pares de caninos avantajados, saltando para fora da boca do homem. Deu as costas e se foi, da mesma forma sorrateira que aparecera, sem dizer mais nada.

***

Mais Contos do Autor no WattPad

 

CONTO – Queda Livre

 

Quanto tempo um corpo leva para cair de um prédio de 20 andares, até encontrar o chão? Não pergunto o tempo verdadeiro, aquele que a física consegue facilmente calcular. Nem o tempo contado no relógio do senhor de cabelos grisalhos, que andava distraidamente, olhando para o alto, contemplando a arquitetura dos prédios antigos daquela cidade, na qual ele só foi parar porque o motor do seu carro estragou e ali era o local mais próximo onde poderiam consertá-lo.

Minha pergunta é direcionada à pessoa detentora do corpo que está em que livre. O corpo cai descontroladamente, jogado por vontade própria ou obrigado por um outro alguém. O tempo é diferente caso ele tenha se jogado? Ou é o mesmo, caso alguém o tenha empurrado?

O corpo cai, cai, cai … e continua caindo. Quanto tempo leva? Só o dono dele poderia nos contar. Mas ele está morto (e caindo).

O chamado 3 (2017)

 

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Doze anos se passaram desde O chamado 2 e eis que uma notícia alegra o grande grupo de fãs. Uma continuação. Depois de muita especulação, descobrimos que não se tratava de uma continuação direta, mas sim uma espécie de spin off denominada Rings. Tradução literal para ”Chamados”. O erro começou com o título nacional sendo ”O chamado 3”, dando a entender que o filme era sim continuação do segundo. Apesar dos pesares, esse foi o menor dos problemas no então denominado O chamado 3.

Depois que a vida – O cara só vai pra faculdade – separa o perfeito (e meloso) casal Julia e Holt, o namorado desaparece, fazendo com que Julia vá até a universidade tentar entender o que aconteceu. Lá ela encontra um professor que organiza um sistema para burlar a maldição dos 7 dias. Depois que Julia encontra seu namorado, descobre que ele tem 12 horas de vida, pois viu o famoso vídeo da Samara. O sistema pede que a vítima faça uma cópia do vídeo e encontre um seguidor para vê-lo, fazendo com que ela se livre de uma vez por todas do encontro com a vilã. Julia se propõem a assistir a cópia para salvar seu namorado, transformando-se assim, na próxima vítima. Os dois embarcam numa viagem para descobrir os confins de Samara e dar um fim na maldição de uma vez por todas.

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O filme é um pesadelo. Se tratando de um filme de terror, isso seria uma coisa boa? Não. Ele é apenas muito ruim mesmo. A trama é totalmente ofuscada por um casal desinteressante e temos a Samara como uma mera personagem coadjuvante. O diretor espanhol F. Javier Gutiérrez tenta trazer um filme tecnológico e adaptado para o tempo moderno, o que seria totalmente aceitável, já que a história se passa doze anos depois da sequência anterior e hoje em dia poucas pessoas teriam um vídeo cassete em casa. Em teoria, isso faria sentido, se tudo que fosse aplicado no filme não se tornasse uma hilária piada, daquelas que fazem o telespectador dar gargalhada. Começamos com uma das piores cenas do cinema terror, trazendo a Samara saindo de uma tela de computador de bordo em uma cabine de avião. Se um filme começa com uma cena estilo ”Todo mundo em pânico”, o que esperar do resto? A tecnologia não foi bem utilizada, e eu acredito que por um motivo. Foi construída em cima de um clássico revolucionário. Querendo ou não, O chamado de 2002 inovou o cinema trazendo uma das principais vilãs de Hollywood, ao lado de Freddy Krueger, Jason Vorheers, Leatherface, Ghostface, Michael Myers etc. Ao invés da tecnologia ajudar, ela atrapalha. Ela nos tira da imersão do universo Samara e nos coloca num ambiente totalmente novo. Um ambiente mal preparado e que nos faz perguntar, por que diabos Rachel (Personagem de Naomi Watts em O chamado 1 e 2) não descobriu isso, sendo que foi ao inferno para descobrir o paradeiro de Samara? As cenas que realmente deveriam assustar se tornam chatas e de forma alguma compramos a ideia de que Samara realmente é assustadora. Vitimizar a vilã não seria uma desculpa para o fracasso, uma vez que temos isso em Texas Chainsaw Massacre, com Leatherface. O filme é ruim porque é ruim mesmo. Entre os poucos acertos no filme, encontramos o ator Johnny Galecki, numa performance ousada e bem executada, o desprendendo completamente de seu antigo personagem em The Big Bang Theory. A subtrama da história da Samara é excelente. Explica muitas pontas soltas e agrega muito à história da vilã, mas acontece em questão de minutos, e é estraçalhada com o pior final possível, pois por algum motivo Samara se comunica em libras agora. (Oi?)

Chamados (Me recuso a chamar esse filme O chamado 3), é uma péssima surpresa para os fãs da franquia e o que supostamente deveria concertar os erros do filme anterior acaba trazendo mais erros à coleção.

Nota: 4

Cena preferida: Seria facilmente a cena em que Julia entra num quarto subterrâneo, trazendo uma das cenas mais sufocantes e assustadoras do filme… durante 5 segundos. A cena é mal aproveitada e estragada para dar sequência à uma necessidade do filme.

Logo a baixo o review em vídeo pelo Take Unico

Resenha: Escuridão no fim do túnel

escuridaonofimdotunelAutor: Henrique de Micco
Páginas: 78
Onde encontrar: Amazon e WattPad
Sinópse: “Escuridão no Fim do Túnel” Traz alguns contos sombrios, misteriosos, aterrorizantes e, principalmente, escuros. Todas as curtas e intensas histórias possuem algo em comum: São narradas, em seu ápice, do ponto de vista dos diferentes protagonistas munidos de lanternas, numa tentativa inútil de afastar de si a sensação de morte e o medo do desconhecido que pode emergir das sombras quase impenetráveis.”

 

Assim que passei da capa, já me deparei uma nota de dedicatória muito interessante:

Esse livro é dedicado a todos aqueles que, imersos na mais completa escuridão, deixaram-se guiar pela luz infinita do coração… 

 

Escuridão no fim do túnel” é um livro de contos, mas de certa forma, uma história completa. Cada conto é interligado por um objeto em comum e todos terminam com um final perturbador. É um livro que te deixa nervoso, mas acima de tudo, ansioso pelo final.

O livro começa com o pai e filho sentados, na sala de casa. O pai, prestes a contar algumas histórias de terror ao filho, diz que uma delas aconteceu com ele, e outras com amigos ou amigos de amigos. O filho, ainda desconfiado, pede para que conte-as mesmo assim. O pai cede ao pedido, exigindo apenas que ele pegue sua velha lanterna e apague as luzes. O garoto faz o que o pai pede e então anuncia: “O show de horrores vai começar”.

O primeiro conto do livro, já perturbador, é intitulado de “Um animal, talvez?”. Ele termina e te deixa agoniado. Talia, nossa personagem principal do conto, atropela alguma coisas durante a madrugada, enquanto dirigia sentido ao sul do Brasil. Nesse momento coisas estranhas começam a acontecer. Ao final do conto, não sabemos direito o que realmente ela atropelou, mas temos a certeza de que ela encontrou algo macabro no meio daquela rodovia.

Passou cerca de cinco minutos ali, imóvel, ouvindo apenas o barulho das gotas pesadas da chuva caírem sobre as folhas secas na terra. Ela se levantou lentamente.

 

Já no segundo, chamado de “Dedo no gatilho”, Fred é o protagonista. Ele acorda e se prepara para ir ao trabalho. No caminho, quando está na fila da bilheteria do metrô, se depara com uma menina perdida. Mas a pressa – dele, e depois da multidão – não o permite ajudá-la.

Quando está quase chegando ao seu destino, algo estranho começa a acontecer. Primeiro, o trem pára, deixando ele e os passageiros nervosos. Fred começa a ver coisas estranhas que nenhum outro passageiro parece enxergar. A cena final do conto te faz soltar um “O quê?” espontâneo.

As pessoas imploravam por salvação; Oravam em alto tom e choravam. Fred não sabia o que fazer; Ele estava tão confuso e assustado quanto todas elas

 

Em “Encomenda suspeita”, o terceiro conto do livro, Iolanda se prepara para sair de casa junto com sua amiga Michele. Enquanto Iolanda se arruma, alguém deixa um pacote na porta de sua casa, com os dizeres: “Para a Srta. Iolanda Rubens de Andrade, com todo o amor e carinho que ela merece.” E o pior é o que se encontra dentro dela.

– Aaaaaah! Deus… O que… – Ela olhou mais uma vez para ter certeza de que não havia sido enganada por seus olhos.

 

Sob olhares desconhecidosconta a história de um policial bêbado e sua mulher, Talia. Ao sair de casa para fumar, Pablo pôde ver que a grade da casa do vizinho estava aberta. Não seria estranho se não fosse o fato de que eles haviam se mudado para o interior e a casa ainda possuísse objetos de valor dentro dela. Como todo bom policial ele decide averiguar. Grande erro.

Pablo bateu a porta e atravessou o quintal até parar no portão. Acendeu um cigarro, perdendo-se em seus pensamentos até ser interrompido por algo estranho que chamara a sua atenção. O portão da casa da frente parecia estar entreaberto. Casa que estava vazia há dias, após seus vizinhos decidirem se mudar para uma pequena cidade no interior.

 

Em meio aos contos, existe a pausa para o café, onde o pai do garoto pede para que ele busque uma faca de churrasco na cozinha e prepare um café para beber. E essa pausa é muito bem vinda no livro, porque Encomenda suspeita e Sob olhares suspeitos trazem duas cenas realmente desconfortantes.

Logo após isso, o pai continua a contar a última história do livro, chamada de O viajante misterioso”, e é nesse exato momento que a ligação entre os contos começa a ficar mais visível. É aqui que o leitor começa a entender algumas coisas por conta própria e também através de explicações do pai.

O livro tem um desfecho muito bom e de certa forma inesperada. Talvez por isso, seja tão interessante. Não é previsível e é impactante. Cheio de cenas de horror puro em que deixa o leitor agoniado como se navegasse por entre as histórias, mas com um final bonito e uma mensagem muito boa.