O chamado 3 (2017)

 

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Doze anos se passaram desde O chamado 2 e eis que uma notícia alegra o grande grupo de fãs. Uma continuação. Depois de muita especulação, descobrimos que não se tratava de uma continuação direta, mas sim uma espécie de spin off denominada Rings. Tradução literal para ”Chamados”. O erro começou com o título nacional sendo ”O chamado 3”, dando a entender que o filme era sim continuação do segundo. Apesar dos pesares, esse foi o menor dos problemas no então denominado O chamado 3.

Depois que a vida – O cara só vai pra faculdade – separa o perfeito (e meloso) casal Julia e Holt, o namorado desaparece, fazendo com que Julia vá até a universidade tentar entender o que aconteceu. Lá ela encontra um professor que organiza um sistema para burlar a maldição dos 7 dias. Depois que Julia encontra seu namorado, descobre que ele tem 12 horas de vida, pois viu o famoso vídeo da Samara. O sistema pede que a vítima faça uma cópia do vídeo e encontre um seguidor para vê-lo, fazendo com que ela se livre de uma vez por todas do encontro com a vilã. Julia se propõem a assistir a cópia para salvar seu namorado, transformando-se assim, na próxima vítima. Os dois embarcam numa viagem para descobrir os confins de Samara e dar um fim na maldição de uma vez por todas.

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O filme é um pesadelo. Se tratando de um filme de terror, isso seria uma coisa boa? Não. Ele é apenas muito ruim mesmo. A trama é totalmente ofuscada por um casal desinteressante e temos a Samara como uma mera personagem coadjuvante. O diretor espanhol F. Javier Gutiérrez tenta trazer um filme tecnológico e adaptado para o tempo moderno, o que seria totalmente aceitável, já que a história se passa doze anos depois da sequência anterior e hoje em dia poucas pessoas teriam um vídeo cassete em casa. Em teoria, isso faria sentido, se tudo que fosse aplicado no filme não se tornasse uma hilária piada, daquelas que fazem o telespectador dar gargalhada. Começamos com uma das piores cenas do cinema terror, trazendo a Samara saindo de uma tela de computador de bordo em uma cabine de avião. Se um filme começa com uma cena estilo ”Todo mundo em pânico”, o que esperar do resto? A tecnologia não foi bem utilizada, e eu acredito que por um motivo. Foi construída em cima de um clássico revolucionário. Querendo ou não, O chamado de 2002 inovou o cinema trazendo uma das principais vilãs de Hollywood, ao lado de Freddy Krueger, Jason Vorheers, Leatherface, Ghostface, Michael Myers etc. Ao invés da tecnologia ajudar, ela atrapalha. Ela nos tira da imersão do universo Samara e nos coloca num ambiente totalmente novo. Um ambiente mal preparado e que nos faz perguntar, por que diabos Rachel (Personagem de Naomi Watts em O chamado 1 e 2) não descobriu isso, sendo que foi ao inferno para descobrir o paradeiro de Samara? As cenas que realmente deveriam assustar se tornam chatas e de forma alguma compramos a ideia de que Samara realmente é assustadora. Vitimizar a vilã não seria uma desculpa para o fracasso, uma vez que temos isso em Texas Chainsaw Massacre, com Leatherface. O filme é ruim porque é ruim mesmo. Entre os poucos acertos no filme, encontramos o ator Johnny Galecki, numa performance ousada e bem executada, o desprendendo completamente de seu antigo personagem em The Big Bang Theory. A subtrama da história da Samara é excelente. Explica muitas pontas soltas e agrega muito à história da vilã, mas acontece em questão de minutos, e é estraçalhada com o pior final possível, pois por algum motivo Samara se comunica em libras agora. (Oi?)

Chamados (Me recuso a chamar esse filme O chamado 3), é uma péssima surpresa para os fãs da franquia e o que supostamente deveria concertar os erros do filme anterior acaba trazendo mais erros à coleção.

Nota: 4

Cena preferida: Seria facilmente a cena em que Julia entra num quarto subterrâneo, trazendo uma das cenas mais sufocantes e assustadoras do filme… durante 5 segundos. A cena é mal aproveitada e estragada para dar sequência à uma necessidade do filme.

Logo a baixo o review em vídeo pelo Take Unico

Resident Evil 6: O capítulo final (2017)

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Depois de cinco filmes, sendo dois deles extremamente cansativos, Resident Evil retorna com seu sexto e último filme, intitulado O capítulo final. Após o fracasso de Resident Evil Retribuição, todos esperávamos um final digno para os nossos personagens favoritos, com os quais crescemos juntos, e final este, que excedeu as minhas expectativas.

Após o apocalipse mundial provocado pela empresa Umbrella Corporation, Alice descobre que foi traída e que há um antivírus que promete anular toda a infecção provocada pelo T-vírus. Obviamente que sua missão não seria tão fácil, uma vez que os maiores vilões da franquia retornam para infernizar a vida da nossa personagem e completar o maligno plano de exterminar a raça humana. Dessa vez Alice deve retornar ao seu lar, Racoon City, agora destruída, para recuperar o então antivírus que encontra-se na colmeia e finalmente salvar o dia. Para isso, ela conta com a ajuda de velhos amigos, como Claire Redfield.

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Resident Evil é adaptação dos games de mesmo nome e embora o processo criativo tenha colocado uma personagem que não existe nos games, a franquia redefiniu o conceito da história criando assim um novo grupo de fiéis fãs. O sexto filme da franquia funciona por apenas um motivo. O diretor Paul W.S. Anderson traz tudo que já funcionou nos filmes anteriores e aplica com excelência na nova trama. Posso afirmar que o filme é uma mistura de o Hóspede Maldito e A Extinção, pois temos novamente a sensação de que o fim do mundo é sim laranja e o mais importante em filmes de terror: Muitos sustos. Com muita funcionalidade, o diretor conseguiu aplicar um filme de terror em cima de um bom filme de ação (que eu prometo que irá te deixar sem unhas) e fazer cenas noturnas com muita precisão. Todos sabemos as dificuldade nesse tipo de cena, mas dessa vez, a própria silhueta dos personagens é trabalhada de forma eficaz. Pela primeira vez depois dos últimos dois filmes, nada é forçada e exagerado. Os zumbis estão de volta, trazendo a nostalgia do primeiro filme e vemos antigos vilões exercendo suas funções, muito bem que por sinal.  O filme traz intensas cenas de ação em cortes rápidos que nos imergem imediatamente ao que está sendo transmitido na tela. Os personagens, embora de forma sutil e apressada, conseguem ser simpáticos a ponto de criarmos empatia sem os conhecermos muito bem. Nada é raso quanto à missão de cada um e entendemos a existência do perigo. Realmente torcemos para que eles consigam. Os vilões são cruéis e assim como os mocinhos, defendem seus ideias a ponto de usar todas as armas possíveis (Armas muito criativas). Milla Jovovich está mais incrível e preparada que nunca para a nova aventura. Gosto de pensar que ela e sua personagem são a personificação de feminismo e poder. A atriz se entrega de corpo e alma e percebemos o quão ela ama fazer aquilo, transmitindo ainda mais realidade às cenas. Ali Larter volta como a Líder Claire Redfields e embora não muito bem aproveitada, excluí todos os possíveis erros de Afterlife. A ótima surpresa do filme é o retorno do ator Ian Glen, com sua maravilhosa atuação, coisa que a franquia precisava urgentemente. O ator cumpre sua função com excelência e profundidade. O filme que promete ser o fim da história de Alice deixa inúmeras pontas soltas o que me faz pensar, será mesmo esse o final?

Diabos! O Paul W.S. Anderson aprendeu a dirigir um filme? O diretor executa todos os planos e cortes com maestria, lembrando muito o trabalho de Russell Mulcahy, diretor do terceiro filme da franquia. As cenas são intensas, os cortes são rápidos e se piscarmos perdemos alguma coisa. É claro que o filme não nos dá uma única chance de piscar, e o suspense está lá o tempo todo. Mesmo quando antecedemos o jumpscary, ele acaba nos surpreendendo. A fotografia brilha entre o laranja do dia e o azul escuro da noite e dessa vez sem aquele exagero de CGI incomodativo. Os monstros estão mais orgânicos do que nunca e as cenas com os mortos vivos são aterrorizantes. A mixagem de som é tão bem feita, que tenho a vontade de assistir o filme somente com os sons brutos e mixados, mas a trilha sonora é parte essencial na trama. O 3D vale a pena.

Nota: 8

Cena preferida: Depois que Claire descobre uma importante informação sobre um dos personagens, ela mostra que é tão badass quanto Alice (talvez um pouco mais fria) e toma atitudes que nos fazem tremer na cadeira.

A chegada (2016)

 

A chegada tem tudo para se tornar um clichê previsível. Logo nos primeiros minutos temos o receio de estarmos assistindo algo que já vimos em a Quinta Onda (2016) e isso causa sim, certa preocupação. Depois de conhecermos bem os personagens e o caráter da trama, percebemos uma história fascinante e inesperada que filmes de ficção cientifica não costumam trazer.

Após a pacífica chegada de 12 naves alienígenas ao redor do mundo, a professora de linguística Louise Banks é chamada para tentar entrar em contato com a nave que pousou nos Estados Unidos. Sua função é basicamente tentar decifrar sua linguagem para que possam descobrir o propósito da visita. Enquanto as naves permanecem pacificamente sob diversos países, o mundo entra em um colapso social, político e econômico.

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O filme se constrói aos poucos e depois que ganha corpo, se mantém no mesmo ritmo até o final. A trama conta com uma forte protagonista no controle, seguindo aquela linha poder feminino já encontrado em diversos filmes do gênero. Se você é uma daquelas pessoas que se abastasse com efeitos digitais eletrizantes e explosões a lá Michael Bay (O que não há nada de errado nisso, pois eu também sou uma dessas pessoas), certamente A chegada não é o que você espera. Os efeitos especial são sutis e funcionais, dando um visual estético impressionante. Esse é o típico exemplo do ”menos é mais”. Um dos pontos fortes é o embasamento cientifico que traz uma teoria linguística praticamente mastigado para pessoas leigas (Que era o meu caso). O assunto é diferente de tudo já haviam trazido antes, quando se tratando de alienígenas e graças a essa imersão cientifica, nos sentimos a todo instante dentro de um dos filmes do Christopher Nolan. O drama de ficção nos deixa nervosos o tempo todo e nos transporta para um ambiente claustrofóbico, tanto dentro das naves quanto fora delas, como se nenhum lugar fosse seguro. Amy Adams traz uma personagem imponente, embora assustada, com uma subtrama que vamos entender apenas no final do filme e Jeremy Renner, seu parceiro, que exerce qualquer coisa menos a função de seu personagem, também ganha presença ao longo do filme. A falta de importância de alguns personagens pode sim ser um erro, mas nada que afete o propósito da história.

A direção fica por conta de Denis Villeneuve, que dirigiu filmes blowminds como O homem duplicado e Os suspeitos. A chegada é impecavelmente dirigido, trazendo aspectos cruciais que tornam o filme surpreendente e marcante. Tudo no filme é esteticamente atraente, e um dos pontos mais fortes do filme são as naves e os alienígenas, que fogem do óbvio e habitual.

A chegada é na certa um dos melhores filmes da atualidade. Uma trama tão envolvente que você nem vai perceber o tempo passar.

Deixem um comentário falando o que achou do filme.

Nota: 9

Cena preferida: Assim que Louis e Ian chegam de helicóptero e veem a nave pela primeira vez. A fotografia ligada à trilha sonora nos transporta para um ambiente aterrorizante e desconhecido.