Capítulo 3 – Coisas Estranhas Vêm com a Neve

A brisa agora soprava pelas ruas da cidade. As pessoas se amontoavam do lado de fora das casas, vestindo as roupas de frio que encontravam e com cobertores por cima dos ombros como complemento para ficarem protegidos.

As lojas não tinham roupas mais quentes e nem estavam preparadas para aquilo.

Ninguém estava.

Foram pegos de surpresa. Lojistas e moradores.

Mas os olhos de Ângelo não brilharam por causa da neve. Brilharam pela oportunidade que ele teria nos próximos minutos de roubar aquela Smart TV de 55″ que ele tanto queria, sem que as câmeras da cidade conseguissem vê-lo, e muito menos os moradores distraídos com o estranho fenômeno que caíra sobre Lago Negro.

Só de pensar nos pornos e filmes de ação que poderia assistir naquela imensidão que seria a televisão fez seu pau endurecer dentro da calça.

Sorriu para a janela, encarando seu próprio reflexo.

— As gatinhas virtuais te esperam, gostoso — falou para si mesmo, dando uma piscada antes de se retirar. Nem passou pela sua cabeça que deveria vestir algo mais quente, afinal, não estava acostumado com neve.

O que imaginara estava realmente acontecendo. Entrou no carro e então cruzou a rua da sua casa como se fosse um fantasma.

Passou por Marcos e sua mãe que pareciam duas crianças bobas de braços abertos, olhando para o céu.

As pessoas encontravam-se do lado de fora, fazendo bonecos de neve ou atirando bolas uns nos outros. Ficou feliz ao perceber isso e pressionou o acelerador. Não poderia perder essa chance. Com seu salário mínimo conseguiria comprar uma daquelas só dali dez anos. Era sua chance. O Destino lhe dando um presente.

Reginaldo, o proprietário da pequena loja (e seu amigo de bebedeira nas sextas-feiras a noite) não sentiria falta daquele objeto. Ele tinha seguro, e Ângelo sabia disso. No outro dia ele só pegaria o telefone, avisaria do ocorrido e depois de alguns dias teria seu dinheiro de volta.

Mas Ângelo lembrou que se convidasse o amigo para ir na sua casa, teria de esconder sua belezinha.

Atravessou o bairro com o ponteiro marcando 80km/h. Nem pensou no perigo que corria ao dirigir sob uma superfície cheia de gelo, com um carro não preparado para aquilo.

Mas o destino estava do seu lado. Ela estava do seu lado. Ela sentia o homem e sua índole. E ela o esperava.

Passou pelas ruas como o espírito de alguém que há tempos já havia partido e não pudesse ser avistado por olhos humanos. Estacionou o carro em frente à loja (ajudaria na fuga rápida). Deixou o motor ligado e a porta aberta. Seria vapt e vupt. Entrar, pegar o brinquedo e ir pra casa. Ninguém saberia. Só ele e a neve que caia.

Porém a neve era ela. E ela sorria escondida em um canto escuro da loja, esperando pelo homem. Lendo seus anseios e o seu ser.

Colocou a mão sobre a maçaneta da porta com a esperança de que estivesse aberta e não precisasse quebrar o vidro da vitrine, causando mais prejuízo para seu amigo. Mas como suspeitava, estava trancada.

Voltou até o carro e do porta-malas retirou a chave de rodas e sem pensar duas vezes, arremessou-a contra o vidro.

O barulho foi alto e por um momento ele pensou em fugir. Outras pessoas poderiam ouvir e irem de encontro ao som emitido pelo vidro se esparramando contra o chão. Ficou parado por quase um minuto, esperando para ver qualquer movimento pelas ruas.

Continuava vazia.

Então a imagem da TV na sua sala encheu-o de coragem mais uma vez e ele se pôs a andar de forma apressada. Tentaria ser o mais rápido possível. Não desejava ser preso e conhecido na cidade como um ladrão oportunista. Ele não era ladrão. Só queria uma TV que era cara demais para o seu mísero salário.

Entrou pelo buraco agora aberto no recinto. O som da bota esmagando o vidro no chão acendeu mais uma vez o alerta em sua cabeça. Mas era tarde agora. Estava feito.

Sabia onde o objeto de desejo se encontrava. Já parara naquele lugar para o admirar por muitas e muitas vezes. Passou pelos corredores que o levariam à sua mina de ouro. Quanto estava quase chegando seu coração congelou.

“Reginaldo está aqui, estou fodido”, pensou, com os pés cravados no piso da loja.

Uma figura se encontrava atrás do balcão nos fundos, onde Reginaldo levava os aparelhos para os clientes.

Ficou parado, observando a forma que não se mexia. Seus olhos começaram a se adaptar à escuridão e um alívio percorreu todo o seu corpo. Era a silhueta de uma mulher. Podia dar um jeito naquilo. Talvez ela nem visse quem ele era.

Se aproximou da TV. Ia pegá-la e dar o fora. Foda-se quem fosse. Mas outra coisa que seus olhos enxergaram o fez mudar de ideia.

Os seios dela. Grandes e redondos. Expostos.

Será que via certo? Não era o escuro lhe pregando uma peça?

Acreditava que não.

Esqueceu a TV por uns instantes e começou a andar na direção da estranha.

— Ora ora, o que uma dama faz aqui perdida numa hora dessas?

Ela não respondeu.

Agora mais perto ele podia ver os dentes da mulher formando um sorriso sedutor.

— É tímida, senhorita?

Ela balançou a cabeça em uma afirmativa.

— Não tenha medo. Eu tô aqui pra ajudar. Tá perdida?

Ela negou.

A mulher começou a se mover de forma elegante. Saiu de trás do balcão e fez com que o membro de Ângelo quase explodisse dentro da calça. Estava completamente nua.

— Olha moça, assim fica difícil para um cavalheiro se segurar e não aprontar com a senhorita.

Ela sorriu e com a mão fez um sinal para que ele fosse na direção dela.

E ele foi, sem saber que a morte o esperava.

Se pôs na frente dela e as mãos da mulher foram direto para a camisa do homem, retirando-a.

Ela baixou os olhos, fingindo uma reação de timidez.

Aquilo fez Ângelo quase goz*r nas calças.

A mulher repetiu o mesmo com a calça e a cueca do homem e em questão de minutos os dois estavam completamente nus, cobertos pela escuridão da loja de Reginaldo.

— A senhorita não fala? Eu adoro quando as mulheres imploram por uma pica.

A mulher apenas sorriu.

— Ok então. Acho que isso não faz tanta falta.

Ela deitou-o no chão e ele obedeceu sem pestanejar.

Ela montou em cima dele e logo começou a cavalga-lo.

O homem gemia.

Ela sorria.

Sentia a energia dele sendo drenada. Pouco a pouco. Fazia movimentos para frente e para trás. Nunca tinha feito sexo na vida, mas sua natureza conhecia aquilo. Afinal, ela era tudo aquilo. Ela começou a ir mais rápido e mais rápido.

O homem se animou no começo. Mas depois começou a ficar estranho. Seu pau começou a ferver. E depois a doer. Ele pediu para ela parar, mas a mulher apenas sorria.

Mas o sorriso agora não era tímido. Era maníaco.

Ele tentou empurrá-la para longe, mas a mulher parecia pesar mil quilos e não se moveu um centímetro.

Ele deu um tapa no rosto dela, mas a estranha não reagiu de forma alguma.

Tentou um soco, sem sucesso.

Começou a berrar por socorro.

Todos da cidade estavam distraídos com a neve e ninguém ouviu os clamores dele. E se alguém ouviu, pensou que fosse o som de divertimento de algum outro morador de Lago Negro.

Pouco a pouco o homem foi sendo sugado. Suas entranhas começaram a ser puxadas de dentro dele pelo canal urinário. E ele urrou de dor. Foi sugado de dentro pra fora e em menos de cinco minutos, seu sonho de possuir uma TV ou de comer aquela linda e estranha mulher tinham desaparecido para sempre.

Ela levantou-se.

E antes que pudesse pensar em correr atrás de outra vítima, a vítima a chamou.

E ela sorriu mais uma vez.

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