Capítulo 1 – Ela Caminha

SEGUNDO LUGAR no concurso do perfil oficial de suspense (SuspenseLP) do WattPad

“Intrigante e congelante! Precisei me cobrir com várias camadas de cobertores enquanto lia; traduzindo assim as fantásticas ações textuais para ligar o leitor a obra.”

Estava livre. As amarras da caverna não a prendiam mais. Movia-se por seus próprios pés. Quanto tempo se passara, não sabia. Quem a libertara? Não fazia ideia. Provavelmente seu criador. Quebrou as rochas que a aprisionaram naquele lugar como se fossem mero papel, esfarelando-as com facilidade em apenas um toque. Os feitores provavelmente nem viviam mais. Seus filhos jaziam mortos e deles restavam apenas os ossos. Comeram da carne um do outro até que comida não existisse para alimentar seus corpos. Viu eles se definharem aos poucos, sem poder fazer nada, inerte em seu lugar. Em sua antiga prisão. Tentaram saborear-se dela como um último ato de desespero. Morreram ao encostarem em sua pele.

Seus pés agora moviam-se e era uma sensação um tanto quanto engraçada. Os primeiros passos foram bagunçados e desajeitados, mas ela aprendeu rápido. E agora caminhava por entre a terra que conhecia apenas pelos olhos de outros. Mas o local estava deserto. As ruas e as casas que um dia foram habitadas por seus filhos e pelos corpos dos humanos agora estavam tomadas pela natureza, cobertas de mato e flores.

Seu corpo havia mudado. Não era mais aquela coisa imensa. Sua natureza não era mais crescer e expandir. Agora ela podia andar e se locomover. Mas ainda estava faminta.

Nevava lá fora. Era por causa dela? Como sabia que aquilo era neve, se nunca tinha tido contato com tal fenômeno? Achou melhor não questionar.

Estava livre.

Faria o desejo de seu criador finalmente, depois de tempos adormecida. Limparia aquele mundo dos que não davam valor a ele. Agora sabia o que tinha feito errado desde o início, e talvez por isso seu destino tomou um rumo indesejado no passado.

Porém agora entendia o como. Fazia parte de sua natureza e cabia a ela julgar os que fariam parte do novo mundo e quem não.

Andou pelas terras com os pés descalços, sentindo as folhas das árvores por entre os dedos dos pés. A energia de tudo se conectava a ela.

Tudo aquilo era ela.

E a neve a seguia, pintando a paisagem de branco e cobrindo tudo com sua cortina de neve.

Já tinha esperado demais. Era hora de começar tudo de novo.

Da maneira correta. Com a benção dele, seu criador.

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