7 PEDAÇOS DO INFERNO

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Agora deve fazer pouco mais de um ano que me juntei a comunidade WattPad. Descobri coisas incríveis naquele site e tive feedbacks muito bons em relação aos meus livros. Mas uma coisa que aconteceu de bom mesmo foi ter esbarrado por acaso no perfil do Henrique. Li as histórias dele (fiz resenha do Escuridão no Fim do Túnel aqui no site, caso queiram conhecer mais sobre o autor) e me apaixonei. Porque, apesar de nossa escrita ser diferente, nossos gostos em relação a criação de histórias são parecidas. E de tanto um enviar texto para o outro antes de publicar ou mandar para aquela antologia marota, buscando aquela aprovação final, eis que decidimos criar um livro em parceria.

A temática escolhida (veio do Henrique e eu curti pra cara***o), foi os 7 pecados capitais. O livro tem previsão de lançamento para agosto, então fiquem ligados.

Logo logo uma dose de terror a mais surgirá.

A terra é no Inferno

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Recentemente eu criei um novo livro no WattPad, onde acabei juntando duas histórias diferentes que eu tinha escrito (começado), mas que em um determinado momento pude ver que elas seguiriam para o mesmo caminho. E não é que deu certo? Hoje eu já vejo onde essas duas histórias se encontrarão e virarão apenas uma. E venho aqui convidá-los a conhecer um pouco. Já tem 6 capítulos postados.

Sinópse:

O mundo está chegando ao seu fim mas ninguém reparou. O inferno se fundiu com a terra e os demônios andam disfarçados, usando pele de humanos. Assassinatos, roubos e guerras são causados por esses seres diabólicos e ninguém percebe que o mundo já não é mais como antes. Com exceção de seis jovens que ao completarem dezoito anos, recebem uma revelação: eles foram escolhidos por Deus para uma batalha final a fim de reaver a terra e expulsar as criaturas para seu lugar de origem: o Inferno.

 

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RESENHA – Apaixonado Coração Apodrecido

Apaixonado Coracao

Autor: Antony Magalhães

Páginas: 125

Onde encontrar: Amazon

Sinópse: Hugo assinou um contrato com a Mors e morreu. A empresa realizou o processo de zumbificação e ele voltou a viver. Quer dizer, teoricamente ainda está morto, mas andando por ai como se nada tivesse acontecido. Está um pouco podre e fede de vez em quando, mas não perdeu quase nenhum pedaço. Um ano após assinar seu contrato, ele já não tem tanta certeza se quer continuar vivo. A vida de um zumbi no Brasil é bem complicada. Os zumbis precisam enfrentar o preconceito e as dificuldades para se adequar na sociedade. A morte de Hugo muda quando faz novas amizades e juntos decidem desvendar crimes envolvendo a morte de outros zumbis já que ninguém mais parece interessado em investigar os crimes.

***

E se a morte não fosse mais algo tão importante na sociedade? E se as notícias sobre alguém que morreu já não fossem interessantes e a mídia quase nem falasse mais nisso? É assim o mundo onde Hugo, Melissa e Will vivem agora.

Uma empresa chamada Mors descobriu como trazer pessoas a vida após sua morte. Agora, quem tem um contrato assinado, não precisa mais se preocupar com o fim de seus dias. Basta assinar o tal contrato, morrer e ser trazido de volta como um zumbi (mas devemos deixar claro que eles não gostam de cérebro).

Hugo vive sua vida (ou morte, ou pós-vida) normalmente e começamos a conhecê-lo melhor no dia em que seu contrato de zumbificação vencerá. Ele está decidindo ainda se o renovará, pois a vida depois da morte não é assim tão interessante. Ele precisa passar vários produtos (criados apenas para zumbis), para dissipar o mau cheiro ou conservar mais sua pele e outras partes do corpo. E o pior é que é difícil arrumar um emprego como zumbi. Muitas pessoas (exceto os abutres, que não perdem tempo para tirar uma foto com um zumbi assim que o avista) não os vêem como algo bom e um novo grupo de preconceituosos surge: os zumbifóbicos.

Mas é nesse último dia que o coração de Hugo volta a pulsar (de forma metafórica), ao conhecer Melissa, uma zumbi que vai atrair os olhos (ou o olho, já que Hugo perdeu um faz um tempinho), e fazer com que o zumbi tome a decisão de assinar ou não a renovação do contrato. Nesse mesmo dia ele conhece Will, e os três se tornam bons amigos.

Mas a vida dos zumbis corre perigo. Alguém começou a matá-los novamente e a polícia não parece se importar muito com os assassinatos. Então os três resolvem dar uma de detetives e tentar achar o assassino.

Vou dizer que eu comprei o livro sem muita pretensão. Gostei da capa e do título e resolvi apostar. E a história ganhou meu coração. Ela é divertida, o romance é gostoso e a parte do mistério também prende demais. Sem falar que a ideia de viver em um mundo onde humanos e zumbis coexistem é espetacular de se imaginar.

Deixo aqui minha recomendação para esse livro que roubou meu coração. Que me deixou feliz ao ler e me deixou triste ao terminar. Já tô com saudade do Will, do Hugo e da Melissa.

 

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CONTO – POR MAL

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Lembro de ter pesquisado isso na internet. A maioria dos sites diziam que era apenas uma história e que não dava certo. Tive de buscar dentro da DeepWeb para receber o passo-a-passo de como fazer. O site dizia para eu preencher meus dados e enviaram para mim um contrato na qual eu deveria assinar com sangue. Acabei vendendo minha alma.

Eu estava desesperado pelo amor dela. Tentei de tudo: cartas, declarações de amor e surpresas, mas tudo que recebi em troca foram chacotas, tanto dela quanto de seus amigos idiotas. Já que ela não quis ser minha por bem, foi por mal.

Após eu assinar o contrato, as pessoas do site enviaram-me uma caixa com os materiais necessários para criar a boneca dela. Comecei pelo rosto. Costurei barbantes negros na parte onde seria a cabeça da minha amada, como se fossem seus lindos fios de cabelo. Nos olhos, pintei de um tom verde e os seus lábios desenhei com todo o cuidado, tentando representar a perfeição que realmente eles eram. Terminei minha boneca de voodoo em três horas, e ela funcionou.

Enquanto estou aqui sentado minha amada está ajoelhada, com aquela linda boca no meu pau. Cada vez que ela se recusa a atender aos meus desejos eu espeto, jogo longe ou torço a boneca, causando-lhe muita dor, a fim de mostrar que eu mando nela. Se não foi por bem, foi por mal.

CONTO – PRESENÇA

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Os barulhos que ela ouve por toda a casa durante a noite já estão levando-a a beira da loucura. Pior que os sons sem fundamento algum é o momento de ir pra a cama dormir. Sempre que ela apaga as luzes e deita-se na, a sensação de alguém estar do seu lado é estonteante. Ela quase já não dorme mais com medo de que algum dia abra seus olhos e veja o que aquilo realmente é.

Porém nessa noite ela criou coragem. Já estava farta de viver com medo. Tomou um longo banho, vestiu-se e amarrou seus cabelos pretos e lisos em um coque e sentou-se no sofá da sala, esperando que Dona Cassandra tocasse a campanhia. E ela nunca imaginou que aquela espera pudesse ser tão demorada.

Mas naquela noite em que sua mente ansiava por uma resposta e pelo fim daqueles acontecimentos estranhos ela finalmente veria o que estava a atormentando tanto de uns tempos para cá. Mal sabia a pobre mulher que a imagem que apareceria, nebulosa e pouco nítida, andando pela casa, seria a dela própria.

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EM UMA VIELA QUALQUER DA RUA AUGUSTA

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O céu estava limpo e cheio de estrelas. Marcos acelerava os passos e volta e meia inclinava a cabeça para trás. A sensação de estar sendo seguido o acompanhava já fazia quase cinco minutos.

“Por que fui inventar de querer cortar caminho por aqui?”, pensava enquanto andava cada vez mais rápido.

Na baixa Augusta a iluminação era precária e a segurança mais ainda. Por diversos trechos a única luz que existia lá vinha da grande lua cheia, branca e agourenta, que seguia-o pelo céu, como se previsse alguma desgraça e ansiava por testemunhá-la.

Um som de passos invadiu os ouvidos dele, fazendo seu sangue gelar. Arriscou mais uma olhada para trás, rezando inconscientemente para que não visse nada. Mas viu.

Um vulto negro agora o acompanhava e quanto mais apurava os passos, mas a pessoa que o seguia também o fazia. Começou a correr. Ouviu os passos atrás dele correrem juntos.

“Porra, não, não, não … não faz nem um mês que levaram meu celular. De novo não”, pensava, enquanto corria. Os passos atrás dele estavam mais próximos agora. Gritou por socorro, mas não tinha ninguém por perto para ajudá-lo. O único som em resposta que recebia era o eco de sua voz, como se voltasse para tirar sarro dele. De repente tropeçou em algo e se estatelou no chão. Foi de arrasto rua abaixo e seu queixo foi quem sofreu mais, sendo arrastado por alguns centímetros até que enfim o corpo parasse. Sentiu gosto de sangue na boca.

Tentou levantar-se, mas a pessoa que o seguia subiu em cima dele.

— Que porra cara. — Disse, cuspindo sangue junto com as palavras.

— Quietinho se não quiser morrer. — Teve como resposta.

Olhou para a frente com a esperança de ver alguém vindo em sua direção para ajudá-lo. Não havia ninguém lá. Apenas uma rua escura e desabitada.

— Pega o dinheiro da minha carteira cara, mas não me machuca. Tenho uma filha. — Mentiu, tentando fazer com que o ladrão não o matasse ali mesmo.

Ouviu uma gargalhada como resposta. O homem em cima dele aproximou a boca do ouvido de Marcos e por um instante ficou em silêncio.

A respiração do ladrão era fria e o cheiro do hálito logo tomou conta das narinas do rapaz. Não era um cheiro ruim, mas era um odor que ele nunca tinha sentido antes. Palavras ecoaram em sua mente: “Morte”.

— Eu não quero dinheiro. — Sussurrou o homem, rindo baixinho e logo em seguida passando sua língua pela orelha de Marcos, em movimentos lentos e circulares. A língua era gelata, tal qual a respiração.

— Só quero um pouco do seu sangue.

— Que porra … — Tentou dizer enquanto fazia força para se desvencilhar do homem. Foi inútil. Com apenas um leve empurrão, foi jogado de volta ao chão.

O homem riu novamente. Levou a cabeça de volta ao ouvido de Marcos e falou:

— Se você for bonzinho eu te deixo viver. — E lambeu a orelha dele novamente, agora descendo até o pescoço.

— Cara, eu não curto isso. Tudo bem se você curte. Me deixa ir por favor …

O homem empurrou a cabeça do rapaz com força em direção ao chão, fazendo-a chocar-se bruscamente.

— Mandei ficar quieto.

A pancada deixou-o tonto. Sentia sua cabeça úmida. “O desgraçado cortou meu rosto”.

Ia morrer ali, jogado na sarjeta, em uma viela imunda da rua Augusta. Quanto tempo levaria até que alguém encontrasse seu corpo? Ou pior, quanto tempo levaria até que sua família soubesse de sua morte? Morava sozinho em São Paulo fazia três anos e não entrava em contato com os pais frequentemente. Sentiu lágrimas saindo dos olhos. O sonho de ser editor e tradutor seria interrompido, e faltava tão pouco. Fechou os olhos, aguardando a morte abraçá-lo e levá-lo para sabe-se lá aonde.

Então algo perfurou seu pescoço. No começo foi doloroso, mas segundos depois tornou-se tranquilizador. O que era isso tudo? Sentia que o homem estava sugando algo. Seu sangue? Não podia ser.

O sujeito ficou fazendo isso por alguns minutos até que Marcos desmaiou. Enfim a morte. “Mas que forma estranha de morrer”, pensou antes de ser tomado pela escuridão total.

 

***

 

Quando abriu os olhos novamente, viu o homem agachado em sua frente. Tentou levantar, mas a força o abandonou por completo.

— Não se esforce. — O homem falou, com grandes olhos castanhos que sorriam para Marcos.

O sujeito olhou no relógio e depois passou a mão pelo cabelo e então disse:

— Daqui a 6 horas o sol vai aparecer nesse céu. Se não quiser morrer, evite-o.

Marcos tentou falar, mas as palavras saíram embrulhadas.

— Vampiro?

O sujeito na sua frente sorriu, agora de forma afável.

— Sim garoto. É o que sou e é o que você será. Faça o que eu disse. Vá para casa, feche as cortinas e durma durante o dia. Quando a noite chegar, eu te encontro pra conversarmos mais. Você é meu agora.

Ele sorriu para o rapaz que ainda se encontrava deitado no chão. O que Marcos viu foi dois pares de caninos avantajados, saltando para fora da boca do homem. Deu as costas e se foi, da mesma forma sorrateira que aparecera, sem dizer mais nada.

***

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CONTO – Queda Livre

 

Quanto tempo um corpo leva para cair de um prédio de 20 andares, até encontrar o chão? Não pergunto o tempo verdadeiro, aquele que a física consegue facilmente calcular. Nem o tempo contado no relógio do senhor de cabelos grisalhos, que andava distraidamente, olhando para o alto, contemplando a arquitetura dos prédios antigos daquela cidade, na qual ele só foi parar porque o motor do seu carro estragou e ali era o local mais próximo onde poderiam consertá-lo.

Minha pergunta é direcionada à pessoa detentora do corpo que está em que livre. O corpo cai descontroladamente, jogado por vontade própria ou obrigado por um outro alguém. O tempo é diferente caso ele tenha se jogado? Ou é o mesmo, caso alguém o tenha empurrado?

O corpo cai, cai, cai … e continua caindo. Quanto tempo leva? Só o dono dele poderia nos contar. Mas ele está morto (e caindo).